Tudo começou em 31 de julho de 2014, com um POSITIVO. Uma mistura de emoções, felicidade, medo, negação. Como se, em flashs, meu futuro passasse a minha frente. Insegurança, imaturidade, irresponsabilidade...
Eu tinha apenas 16 anos, meus parentes julgavam, meus amigos se afastaram e eu pude ver quem estava ao meu lado de verdade. Por essas e outras, em muitos momentos, pensei que a solução seria o aborto. Pensamento que desapareceu com a primeira ultrassonografia, quando, pela primeira vez, ouvi as batidas de seu coração.
Eduardo, como eu fiquei feliz ao saber que era um menino. O tempo passava tão rápido, a barriga crescia e aquela vida que eu estava gerando me dava motivos para que eu nunca desistisse. Meu futuro já era outro, já havia remodulado tudo e só aguardava a sua chegada.
Acabara de finalizar o ensino médio e tinha ingressado na faculdade. A expectativa só aumentava e mesmo com nove meses completos eu ainda enfrentava trem e ônibus para lhe garantir um futuro melhor.
Eis que começam as dores, 22 de fevereiro de 2015, num domingo. Idas e vindas do hospital, dores intensas, inicio de trabalho de parto e nada de dilatação. Consulta com a obstetra na terça feira, meu Dudu está saudável e pode nascer a qualquer momento. As dores aumentavam e as 22h00 de terça feira voltamos ao hospital, mas eu já estava esgotada. Ao ser examinada a medica informou que eu já estava com 6cm de dilatação e que nessa madrugada ele iria nascer.
Tomei um longo banho para que a dilatação aumentasse e fui me deitar. Toda e qualquer posição era desconfortável. Minha mãe entrou na sala de pré parto como minha acompanhante. Eu estava com um pressentimento muito ruim e pedi que minha mãe jurasse que cuidaria do meu filho, caso algo acontecesse comigo, mau eu sabia o que estava para acontecer.
Em diversos momentos eu sentia que não daria conta e que ele não nasceria de parto normal, mas ao implorar por uma cesária a medica me disse que "todas as mães podem parir, e comigo não seria diferente". Em verdade, meu filho não estava encaixado, era suicida arriscar um parto normal.
Após quase 5 horas sem supervisão médica, com dor, com medo, a enfermeira me notificou, contente, de que já eram 10cm de dilatação. A felicidade acaba no momento em que a mesma não consegue ouvir o coração do bebê. Mudamos de aparelho e o Cardiotoco aliviou nossos corações com algumas batidas bem fraquinhas, nos dando esperança de que desse tempo.
Rapidamente me encaminharam para o centro cirúrgico, onde fui preparada para uma cesariana de emergência. Meu filho já não podia esperar mais, porém o anestesista não estava no hospital, com isso se passaram mais vinte minutos.
Anestesiada, em uma maca, com medo, preocupada, sozinha. Iniciou-se a cirurgia, e às 4h55 do dia 25 de fevereiro de 2015 nasceu o Eduardo, que com um ultimo sopro de vida, voltou para os braços de Deus.